HORA E DATA !

quarta-feira, 24 de julho de 2013

" Renguear Cusco ? "

"Sair de casa é como abrir um freezer", diz porto-alegrense no dia mais frio do ano na Capital Gaúcha

Trabalhadores que circulam pelo Centro contam impressões sobre a semana de temperaturas baixas no Estado

"Sair de casa é como abrir um freezer", diz porto-alegrense no dia mais frio do ano na Capital Ronaldo Bernardi/Agencia RBS


Pelo terceiro dia consecutivo, o frio acompanha porto-alegrenses que se movimentam pelo Centro da cidade na manhã desta quarta-feira. Com a mínima de 3ºC, e com a sensação térmica de 0°C (causada pelo vento) foi o dia mais frio do ano na Capital, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
No entanto, o vento moderado comparado a rajadas cortantes da terça-feira deu a impressão de sensação térmica mais alta do que ontem. Mesmo assim, casacos grossos, mantas, toucas e ponchos continuam presos ao corpo de quem circula pelas ruas centrais, onde há pouca incidência de sol devido aos prédios altos.
— Sair de casa é como abrir um freezer. Sai na porta de casa e já vem aquele ar gelado no rosto — conta o agente da Guarda Municipal André Luiz Pureza, que orienta a circulação no Mercado Público.
Luana Kurtz Bresolin, 19 anos, trabalha no departamento financeiro e comercial de uma empresa do Centro, região da cidade que considera das "mais geladas". Usa casacão, capuz e manta para se proteger, além do frio, de doenças como a gripe.
— O termômetro da rua mostra 5ºC, mas a sensação é de -5ºC. Esses dias estão horríveis — espanta-se a jovem.
Já o bancário Luciano Saraiva utiliza a manta para tapar o rosto e respirar ar quente. Ele não lembra da última vez que sofreu tanto com o frio na Capital. Sai para a rua com blusão de lã, casaco e um poncho gaúcho.
— Tem que ser valente. O jeito é tomar um café bem quente quando sair de casa e outro quando chegar na empresa. No almoço também é complicado, quando saio do calorzinho do ar-condicionado. Fico com pena da minha filha, de um ano e três meses. Precisamos redobrar os cuidados — conta Saraiva.
No Mercado Público, os peixeiros que mexem com o gelo também sofrem. Jonas Rodrigues dos Santos mora na Ilha da Pintada e sai de casa todos os dias às 6h30min, de motocicleta. Veste luva de couro forrada, moletom, jaqueta e uma capa de chuva, que não deixa o vento passar durante a viagem.
— Perto do rio é ainda mais frio. Cortei a parte de cima de uma touca e uso para proteger o rosto. Agora, mexer com o gelo é difícil — relata.
Distribuidor de gelo há 14 anos no centro de Porto Alegre, Luiz Carlos Gonçalves Alves, 34 anos, diz já estar acostumado com as baixas temperaturas do inverno. Ele reforça que, apesar do sofrimento nessa época do ano, o gelo também alivia o calor no verão.
— Às 6h entro em uma câmara fria a -10ºC para pegar o produto. Quem vê na rua, se espanta com o carrinho cheio de gelo, mas o meu corpo já acostumou — brinca.