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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Michel Temer é o Terceiro Vice a assumir a presidência do Brasil.

Temer é terceiro vice a assumir Presidência após a redemocratização

Senado aprovou nesta quarta (31) o impeachment de Dilma Rousseff.
Com isso, Temer concluirá mandato da ex-presidente, que vai até 2018.



Michel Temer se tornou nesta quarta-feira (31) o terceiro vice a assumir a Presidência da República desde a redemocratização, após a confirmação, pelo Senado, do impeachment de Dilma Rousseff.
Antes dele, José Sarney e Itamar Franco chegaram ao comando do governo federal depois da morte de Tancredo Neves (que não chegou a exercer o mandato) e da renúncia de Fernando Collor, respectivamente.
Caçula de oito filhos de uma família de imigrantes libaneses, Michel Miguel Elias Temer Lulia, 75 anos, atinge o ápice de uma carreira política de 35 anos pavimentada na máquina partidária peemedebista.
Substituto de Dilma durante o período de afastamento da presidente, ele é reconhecido, por aliados e adversários, como um articulador político de bastidores que domina as engrenagens do Congresso Nacional e do PMDB.
Presidente nacional do partido há 15 anos, se elegeu vice-presidente da República pela primeira vez em 2010, na chapa de Dilma. À época, além de comandar o PMDB, presidia a Câmara dos Deputados, pela terceira vez em 13 anos.
Respaldado pelo poder que acumulava no Legislativo e na cúpula partidária, Temer impôs ao PT o próprio nome para a vaga de vice como condição para o PMDB apoiar a candidatura de Dilma.
Ingresso na política
Michel Temer nasceu em 1940, no município paulista de Tietê, a 167 quilômetros da capital. Dezesseis anos antes, seus pais March e Miguel Elias, cristãos maronitas, haviam deixado para trás o vilarejo de Btaaboura, no norte do Líbano, com três filhos a tiracolo.
Atualmente, o vice-presidente dá nome a uma rua na entrada da cidade dos antepassados.

Temer estudou direito na Universidade de São Paulo (USP) na transição das décadas de 1950 e 1960, mas não se envolveu com a efervescência estudantil de esquerda que marcou o conturbado mandato do então presidente João Goulart. Ele, ao contrário, fazia parte de um grupo de estudantes que seguia o pensamento liberal.
Em meio ao curso de graduação, chegou a flertar com a política estudantil, elegendo-se segundo-tesoureiro do centro acadêmico da faculdade. Até aspirou um voo mais alto, como presidente do centro acadêmico, mas saiu derrotado da disputa eleitoral.
O peemedebista se formou na faculdade de direito do Largo de São Francisco em 1964, ano em que os militares depuseram Jango. Recém-graduado, montou uma banca de advocacia com três ex-colegas da USP. Quatro anos mais tarde, retornou à academia para lecionar direito constitucional na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Temer é autor de livros de direito constitucional que, até hoje, são referência nas salas de aula de faculdades.

Na época em que deu aulas na PUC-SP, teve contato com o professor André Franco Montoro, que, na ocasião, já era um político experiente, com passagem pela Câmara e pela Esplanada dos Ministérios.
Quando Montoro se elegeu governador de São Paulo no início dos anos 80, a amizade dos tempos da academia abriu para Temer as portas da vida política. Em 1981, ele ingressou no PMDB, herdeiro do oposicionista MDB da época da ditadura.

Pouco mais de uma década após ser aprovado no concurso para procurador do estado quando, em 1983, foi convidado por Montoro para assumir o comando da Procuradoria-Geral de São Paulo.

Em meio a uma profunda crise entre as polícias civil e militar, Temer foi deslocado pelo governador para a chefia da Secretaria de Segurança, cargo que viria a ocupar outras duas vezes na carreira. Ali, em meio ao fogo cruzado das polícias paulistas, ensaiou pela primeira vez o papel de articulador político.
Primeiro, apaziguou o entrevero entre delegados e oficiais da PM. Depois, chamou a atenção de Montoro ao conseguir convencer, por meio de uma conversa, centenas de estudantes a desocuparem o prédio da reitoria da USP, evitando que o Batalhão de Choque tivesse de invadir o local.
Ascensão em Brasília
Em 1986, Temer tentou a sorte nas urnas pela primeira vez para uma cadeira na Câmara dos Deputados. Terminou a corrida eleitoral apenas como suplente, mas, dois anos mais tarde, debutava no Salão Verde da Câmara como deputado constituinte substituindo Antônio Tidei de Lima, que havia assumido o comando da Secretaria de Agricultura paulista.
À sombra de líderes históricos do antigo MDB, como Ulysses Guimarães e Fernando Henrique Cardoso, o então calouro da Câmara conseguiu aprovar o artigo 133 da Constituição, que assegura a inviolabilidade dos advogados por atos e manifestações cometidos no exercício da profissão.

No final da década de 1980, quando FHC, Serra e Mário Covas se desligaram do PMDB para fundar o PSDB após romperem com Orestes Quércia, Temer optou por ficar nas fileiras peemedebistas, aproveitando a abertura de espaço gerada pela debandada de caciques históricos da legenda.
A decisão se mostrou acertada nos anos que se sucederam. Pegando carona no vácuo de lideranças, Michel Temer ascendeu rapidamente na estrutura peemedebista. Eleito para a Câmara com 70.969 votos na eleição de 1994, conseguiu, já no ano seguinte, ser escolhido pelos colegas para a vaga de líder do partido.
Temer se sentiu à vontade nos carpetes verdes da Câmara. Lá, especializou-se nas negociações de bastidores e nas articulações políticas.

Em 1997, ele disputou pela primeira vez a presidência da Câmara. Com o apoio do então PFL (atual DEM), conseguiu se eleger, derrotando um candidato tucano. No comando da casa legislativa, tornou-se um fiel aliado do governo FHC. Dois anos mais tarde, candidato único, reelegeu-se presidente da Câmara, posto que voltaria a ocupar novamente em 2009.
A rápida ascensão de Temer gerou atrito com outras lideranças políticas do Congresso. Nos quatro anos consecutivos em que presidiu a Câmara no final dos anos 90, ele protagonizou duros embates públicos com o então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (antigo PFL-BA), que morreu em 2007.
Mais tarde, seu principal rival político seria outro presidente do Senado, o colega de partido Renan Calheiros (PMDB-AL). Até hoje, os dois rivalizam na busca por espaço dentro do PMDB.
Vida pessoal discreta
Discreto, formal e cerimonioso, o católico Michel Temer tem obsessão em preservar a família de sua vida pública. Ele está em seu terceiro casamento e tem cinco filhos.
A atual mulher, Marcela Temer, é 42 anos mais jovem do que ele. Os dois se conheceram quando ela tinha 18 anos e ele, 60. Temer tem um filho com Marcela: Michelzinho, de 7 anos.
Do primeiro casamento, com Maria Célia, o presidente em exercício teve três filhas: Maristela, Luciana e Clarissa. Temer tem também um filho que nasceu de um relacionamento com uma namorada, em Brasília.
Auxiliares próximos do presidente em exercício contam que ele fala pouquíssimo sobre a família no ambiente de trabalho. Temer costuma usar as horas de folga e as viagens de avião para ler. Segundo interlocutores, é um leitor contumaz.
Pessoas que trabalham diretamente com o presidente em exercício o definem como um "gentleman" no trato pessoal com os subordinados, mas ressaltam que é extremamente detalhista, a ponto de corrigir, pessoalmente, até mesmo as vírgulas dos textos de auxiliares. Também cultiva, entre pessoas próximas, a fama de pão-duro.
Aos 75 anos, procura fazer caminhadas matinais de cerca de meia hora para manter a saúde. Em regra, faz os exercícios físicos acompanhado de sua equipe de seguranças e de um ajudante de ordens, que fica responsável por atender ao celular enquanto ele está fazendo as caminhadas.
Fonte: G1.com
Por: Jonas Tavares

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